O que o TSE disponibiliza publicamente
Por força da Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011), o Tribunal Superior Eleitoral mantém abertos os dados das eleições brasileiras desde 1994. Em 2026, o acervo cobre:
- Candidaturas registradas (CNPJ, partido, coligação, bens declarados)
- Resultados de votação (por urna, seção, zona, município, estado)
- Eleitorado (perfil por idade, escolaridade, gênero — sem identificação individual)
- Prestação de contas de campanha (doações recebidas e despesas)
- Bens declarados pelos candidatos
- Filiações partidárias
- Pesquisas eleitorais registradas
As 3 ferramentas oficiais
1. Portal de Dados Abertos do TSE
Acesso: dadosabertos.tse.jus.br. É o repositório técnico: arquivos em CSV, JSON, ZIP, organizados por ano e tipo de eleição. Para análise séria, é a fonte primária — mas exige conhecimento técnico para processar (alguns arquivos passam de 5GB).
2. DivulgaCand
Acesso: divulgacandcontas.tse.jus.br. Interface web interativa para consulta candidato a candidato. Útil para verificações pontuais (quem é fulano de tal, quanto declarou, com quem coligou). Não permite download em massa nem cruzamentos.
3. TSE Explorer (relatórios e estatísticas)
Acesso: www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas. Painéis com números agregados de eleições passadas (eleitorado, candidaturas, resultados). Útil para citação rápida em matérias e relatórios — sem dado granular por seção.
O que o TSE NÃO disponibiliza
Apesar da abertura ampla, há informações que o TSE não publica por proteção de dados:
- Voto individual. Sigilo do voto é constitucional — o TSE nunca relaciona eleitor a voto.
- Geolocalização precisa de eleitores. Apenas a seção é pública; o endereço do eleitor é protegido.
- Cruzamento com IBGE, Censo, programas sociais. Cada órgão mantém seus dados; o cruzamento é trabalho do analista.
- Visualização cartográfica. O TSE entrega tabelas, não mapas.
Como usar os dados na prática
Para análise eleitoral profissional, o fluxo típico é:
- Baixar o ZIP da eleição alvo no Portal de Dados Abertos
- Carregar em banco de dados (PostgreSQL é padrão entre cientistas políticos brasileiros)
- Cruzar com base de geolocalização das seções (CEP, lat/long)
- Cruzar com dados socioeconômicos (Censo IBGE 2022 por setor censitário)
- Visualizar em ferramenta GIS ou plataforma especializada
Esse trabalho leva dias ou semanas para ser feito do zero. Plataformas que pré-processam o pipeline entregam o resultado em segundos — a Vottus, por exemplo, mantém 215 milhões de registros eleitorais indexados e cruzados com IBGE em base de 83GB.
Os dados do TSE são oficiais e auditados, mas a interpretação depende de método. Mesmos números podem produzir conclusões opostas dependendo do recorte (por seção vs por bairro, por percentual vs por absoluto, comparado a 2022 vs 2018). Use sempre múltiplos recortes antes de tirar conclusões.
Perguntas frequentes
É legal usar dados do TSE para análise eleitoral?
Sim. Os dados disponibilizados pelo TSE são públicos por força da Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) e podem ser usados para análise política, jornalística, acadêmica e estratégica de campanhas. O sigilo aplica-se ao voto individual, nunca aos resultados agregados.
Como baixar resultados de votação por seção?
No Portal de Dados Abertos do TSE (dadosabertos.tse.jus.br), seção 'Resultados', escolha a eleição (ano + cargo), faça download do ZIP. Os arquivos vêm em CSV, geralmente um por estado, com colunas: ANO_ELEICAO, NUM_TURNO, SG_UF, NM_MUNICIPIO, NR_ZONA, NR_SECAO, NR_VOTAVEL, NM_VOTAVEL, QT_VOTOS.
O DivulgaCand mostra dados ao vivo durante a apuração?
Sim, durante a apuração das eleições, o portal DivulgaCand é a fonte oficial em tempo real dos resultados parciais e finais por urna, seção, zona e município. Após o encerramento, os dados consolidados ficam disponíveis permanentemente no Portal de Dados Abertos.
Quanto tempo demora para processar dados do TSE?
Depende da escala. Análise de uma cidade média (até 200 mil eleitores) pode levar algumas horas em ferramenta amadora. Análise de um estado inteiro com cruzamento de dados socioeconômicos pode tomar dias ou semanas se feita do zero. Plataformas especializadas pré-processam o pipeline e entregam consultas em segundos.