Renan Santos pontua 3% nas pesquisas Datafolha de março de 2026. Na média geral do eleitorado, é apenas mais um nome periférico na corrida presidencial. Mas no recorte da Geração Z — eleitores de 16 a 24 anos —, ele alcança entre 6% e 10%. No TikTok, são 210 mil seguidores e mais de 5 milhões de curtidas. Nas redes sociais, gera 180 mil menções por mês. Em volume digital, opera no mesmo patamar de Lula e Flávio Bolsonaro.

É exatamente o mesmo padrão que Pablo Marçal apresentou em 2024 antes de quase ganhar a prefeitura de São Paulo. As pesquisas tradicionais o subestimaram. As redes sociais já tinham pego o sinal — mas ninguém estava ouvindo. Quando o voto chegou à urna, o impacto foi enorme.

Em 2026, o fenômeno se repete em escala presidencial. E os candidatos a deputado federal, estadual e Senado que não souberem mapear o voto da Geração Z em suas regiões vão perder para quem souber. Neste artigo, explicamos por que as pesquisas não capturam esse eleitorado e como usar dados do IBGE cruzados com dados do TSE para identificar exatamente onde estão os jovens — e como conquistá-los.

Por que as pesquisas tradicionais não veem a Geração Z

Pesquisas eleitorais tradicionais usam metodologias amostrais desenhadas há décadas. Funcionam bem para captar tendências do eleitorado médio — homens e mulheres adultos, com rotinas estáveis, telefone fixo ou celular respondido em horário comercial. Mas falham em três pontos fundamentais quando o assunto é Geração Z:

O resultado é que candidatos com forte presença digital e fraca presença na mídia tradicional aparecem com pontuação muito menor nas pesquisas do que sua influência real. E quando o voto chega à urna, o efeito é descoberto tarde demais.

Em 2024, Pablo Marçal aparecia com 8% nas pesquisas Datafolha em junho. Em outubro, terminou o primeiro turno com 28%. A discrepância não foi "erro" de pesquisa — foi metodologia inadequada para captar um fenômeno que estava acontecendo nas redes, fora do radar dos institutos. Em 2026, Renan Santos está reproduzindo o mesmo padrão, agora em escala nacional.

O que os dados do IBGE revelam sobre o eleitor jovem brasileiro

O Censo 2022 do IBGE mapeou exatamente quantos jovens há em cada município e setor censitário do Brasil. Esses dados, cruzados com o cadastro de eleitores do TSE, permitem identificar com precisão onde está concentrado o eleitorado da Geração Z — informação que nenhuma pesquisa de opinião consegue oferecer com a mesma granularidade.

O perfil do eleitor jovem brasileiro tem algumas características importantes para campanhas:

O Vottus integra todas essas fontes — TSE, IBGE, ANATEL — e permite que um candidato a deputado, por exemplo, visualize em mapa interativo exatamente quais zonas eleitorais da sua região têm a maior densidade de eleitores entre 16 e 24 anos. Não é estimativa: é dado oficial cruzado.

Por que o "voto jovem" não é monolítico

Há um erro comum em discutir Geração Z como se fosse um bloco político homogêneo. Não é. Os dados mostram que jovens brasileiros têm dispersão ideológica grande, e as variáveis que mais influenciam não são idade — são renda, escolaridade, geografia e acesso digital.

Um jovem de 22 anos universitário em Florianópolis tem perfil ideológico completamente diferente de outro jovem de 22 anos vendedor ambulante em Caruaru. Ambos estão na Geração Z, mas votam por motivações opostas e respondem a comunicações políticas diferentes. Tratá-los como o mesmo eleitor é o erro fundamental de campanhas que abordam "o jovem" de forma genérica.

O perfil ideológico por município do Vottus, calibrado para 10 perfis ideológicos diferentes, identifica como o voto jovem se distribui em cada município brasileiro. Em algumas cidades, jovens votam majoritariamente à esquerda; em outras, são conservadores; em outras, são liberais econômicos progressistas em costumes. Saber qual perfil predomina em cada região é o que permite calibrar mensagem com precisão.

O fenômeno Renan Santos: por que ele importa para candidatos a deputado

Renan Santos não é "só" um candidato presidencial. Ele é um sintoma de algo maior: a fragmentação do voto conservador no flanco direito de Flávio Bolsonaro. Candidatos do PL que dependiam do voto bolsonarista garantido estão descobrindo agora que parte significativa desse voto está migrando para outsiders digitais — não por desencanto ideológico, mas por preferência pela "renovação" e desconfiança em relação ao establishment, mesmo que conservador.

Para candidatos a deputado federal e estadual, isso significa duas coisas:

1. O voto bolsonarista de 2022 não vai necessariamente se reproduzir em 2026

Em estados como SP, RJ, MG e PR, parte do eleitor que votou em Bolsonaro em 2022 está dividido entre PL, Missão (Renan Santos), Novo (Zema) e outras candidaturas digitais. Esse rearranjo cria votos órfãos no flanco direito — exatamente o tipo de oportunidade que o Vottus mapeia com precisão usando dados de votação por seção e perfil ideológico.

2. Estratégia digital deixou de ser opcional

Mesmo candidatos com base territorial sólida precisam ter presença digital calibrada para os territórios com maior densidade de eleitorado jovem. O cruzamento de dados TSE/IBGE/ANATEL permite identificar quais zonas têm simultaneamente alta densidade de Gen Z e alta penetração de internet — onde cada real investido em comunicação digital tem o maior retorno.

🎯 Caso prático: identificando bolsões de Gen Z

Suponha que você é candidato a deputado federal por Minas Gerais. Em vez de fazer "campanha jovem" genérica em todo o estado, o Vottus permite identificar os 30 a 50 municípios mineiros com maior concentração proporcional de eleitores entre 16 e 24 anos — geralmente cidades universitárias e centros urbanos médios. Concentrar comunicação digital nesses municípios específicos rende muito mais voto por real investido do que pulverizar a estratégia.

Quatro perguntas que toda campanha precisa responder sobre o voto jovem

1. Onde está concentrado o eleitorado jovem na minha região?

Os dados do IBGE cruzados com o cadastro do TSE respondem isso com precisão de seção eleitoral. Não é estimativa — é dado oficial.

2. Qual é o perfil ideológico predominante desses jovens?

Jovem não é sinônimo de progressista, nem de conservador. O Vottus identifica o perfil ideológico predominante por município — incluindo o filtro etário.

3. Como esse eleitorado votou em 2022 e 2024?

Os dados de votação anteriores, combinados com o perfil demográfico das zonas, mostram padrões reais — não suposições.

4. Qual canal de comunicação tem maior penetração nessas zonas?

Dados de ANATEL (acesso à internet, qualidade de banda, penetração móvel) permitem calibrar o canal de comunicação ideal para cada região. Em zonas com alta penetração 4G/5G, vídeo curto funciona; em zonas com baixa conectividade, rádio e presença física continuam sendo decisivos mesmo entre jovens.

O alerta para 2026

O fenômeno Renan Santos vai se replicar em escala estadual e municipal. Candidatos digitais com força nas redes vão aparecer em todos os estados, em todos os cargos, e vão fragmentar votos de candidatos tradicionais que ignoraram a Geração Z. Quem pensa que "voto jovem é detalhe" está cometendo o mesmo erro que cometeram os adversários de Marçal em 2024.

A Geração Z é hoje cerca de 20% do eleitorado brasileiro. Em estados com universidades fortes e regiões metropolitanas grandes, esse percentual chega a 25%. É uma fatia grande demais para ser ignorada — e mapeável demais para ser tratada com palpite.

Renan Santos é o aviso. 6-10% entre Gen Z, 180 mil menções mensais, presença digital comparável a Lula e Flávio Bolsonaro. Quem está captando isso? Quem está medindo? Quem está ajustando estratégia agora? Quem fizer essas três coisas vai se beneficiar do fenômeno. Quem ignorar vai ser surpreendido na urna.

Mapeie o eleitorado jovem da sua região

Cruzamento TSE + IBGE + ANATEL para identificar onde estão os eleitores Gen Z, qual o perfil ideológico e como conquistá-los com dados.

Acessar o Vottus →